quinta-feira, outubro 12, 2006

Aquilo que a gente acha que precisa para viver bem

Eu tenho alguns maus hábitos... E dentre esses maus hábitos o que foi adquirido mais recentemente foi o de trocar bilhetinhos com colegas durante a aula de Sociologia. Mas de alguma forma esse mau hábito está rendendo conversas interessantemente profundas.

FATO QUE ORIGINOU A CONVERSA:
Uma amiga fez uma brincadeira boba com um garoto. Ele ficou surpreso por que a menina não tinha costume de fazer aquele tipo de brincadeira e disse (brincando) que tinha ficado traumatizado. A moça tentou explicar que a brincadeira não foi com má intenção, mas ele tinha a firme convicção que a moça quis fazê-lo de idiota e disse várias vezes que ela o fez de trouxa.

CONVERSA EM SI:
Bilhete nº 1 (destinado a mim): Você costuma dizer que homens são seres simples, mas essa reação que ele teve foi uma reação complexa. O que você me diz?

Bilhete nº 2 (resposta ao primeiro): A senhôura está confundindo simplicidade com ingenuidade. Os homens são seres simples, porém tembém encaram maldosamente as coisas. Ele viu o que você fez pelo prisma dele. Ou seja, se fosse ele que tivesse feito uma brincadeira dessa provavelmente a intenção seria fazer o outro de idiota. Ele te vê através de um espelho de si mesmo.

Bilhete nº 3 (dela para mim): A cada dia que passa percebo mais o quanto sou inocente... Deveria ser mais maliciosa. Desculpe.

Bilhete nº 4 (de mim para ela): Não precisa pedir desculpas por algo que não me ofende, querida. E não queira ser maliciosa. Malícia é artifício dos fracos. Seja feliz com a sua força.

(Ela fez um gesto como quem recebeu uma facada no peito)
Bilhete nº 5 (outro que fiz para ela): Te magoei?

Bilhete nº 6 (resposta dela): Você não magoa. Você tem capacidade de verbalizar as coisas. Mas gostaria que você aprofundasse mais essa questão da malícia.

(Olha ela oferecendo banana a macaco... Eu adoro aprofundar as coisas. Disfarcem!)
Bilhete nº 7: Tudo que existe no mundo tem sua versão boa e ruim. Por exemplo, Amor e Paixão. No nosso caso, estamos falando sobre malícia. A malícia é um sentimento que vê maldade em todas as coisas. A versão boa da malícia é a Sabedoria. Enquanto a malícia vê o lado ruim das coisas e se aproveita das pessoas e das situações, a sabedoria vê ambos os lados, o bom e o ruim, mas sempre escolhe o bom, ainda que não seja o caminho mais fácil. A malícia sempre escolhe o caminho mais fácil.


Acredito que fiz um bem em influenciá-la a deixar de querer ser maliciosa...
Esses bilhetinhos rendem é história...
Estão vendo que meus bilhetinhos têm um lado nobre e de cunho social? Estão vendo?

E vivamos!

3 comentários:

Aline disse...

Creio que cada pessoa vê o outro pelo seu próprio "prisma", independentemente de ser homem ou mulher, macho ou fêmea. E é aí que mora o perigo das relações. Enxergar o outro pelo que eu sou ou pelo que você é pode gerar interpretações por demais equivocadas acerca do nosso próximo. Precisamos ficar atentos quanto a isso. Outra coisa: sobre a versão "boa" da malícia, ainda não descobri como ela se manifesta. Pessoas maliciosas (e olha que eu sei do que estou falando por conhecer muita gente assim) têm um espírito muito mais do que malicioso. E nisso não vejo sabedoria. Sobre os seus bilhetes, é claro que eles estão funcionando como "sociologia"... ahahahah beijão, (obrigada pelo comment)

Rebeca Duarte disse...

Aline: Concordo com o que você disse... É um perigo medir os outros por nós.
Mas sobre versão boa e versão ruim das coisas vejo que eu não me expressei bem. Não estava falando que a malícia tem um lado bom, e sim que a sabedoria é o sentimento que deve substituir a malícia, pois esta última é a "versão" boa. Da mesma forma que o Amor deve substituir a paixão, porque este é bom. Agora me fiz entender? Ou compliquei mais? rsrs
Beijos!

Me disse...

Sim, numa releitura mais atenta do que vc escreveu, é possível entender o que vc quis dizer. Vc não foi confusa. Eu é que interpretei diferente. Explicado! beijos, Aline (respondi seu outro comment)